A ESPIRITUALIDADE JESÚS

¿Qual foi o ponto crucial da mensagem transmitida por Jesus aos homens ? Muito tem sido dito  sobre o seu ensinamento , ¿ mas qual é a natureza, a essência , de sua mensagem ? É a espiritualidade.  O historiador espanhol César Vidal acredita, com razão, que talvez o aspecto mais impressionante da visão de Jesus seja que «… foi impregnado até no âmago de uma perspectiva espiritual». De fato, seu ensino é baseado na necessidade de transformar o interior do homem , seu eu profundo, o que implica colocar sua dimensão espiritual em um plano superior à sua materialidade.

É significativo que ele tenha escolhido a espiritualidade como fio condutor de sua mensagem; era como se pensasse que isso é o que realmente conta . É significativo que o seu sermão do monte tenha comecado precisamente com uma  alusão á  espiritualidade: » Bem-aventurados são aqueles que são conscientes de sua necesidade espiritual”.¿ Mas quál é a espiritualidade da que Jesus fala-nos? Não é uma espiritualidade        cualquier; é uma espiritualidade indissoluvelmente ligada à Divindade, en contraste com outras espiritualidades, alguns das quais presciden de Deus, o pior ainda, negan a sua existencia, como é o caso do ateísmo espiritual .

Jesus nos apresenta três grandes visões espirituais da vida, a primera delas referida á existência de Deus , com  o que sai ao paso do ateísmo de antanho y de hoje, bem como do agnosticismo forte que acredita que não podemos saber se Deus existe. Cada referência para o Pai feita por Jesus carrega a declaração implícita de sua existência , com a adição de que ninguém é capaz de saber quem é Ele , exceto o próprio Jesus , na mesma maneira como somente o Pai sabe quem é o  Filho. Cada vez que Jesus  manifesta a sua   sujeição ao Pai reafirma a existencia de Deus. Cada vez que ele declara  ser o Filho de Deus,  expressa a existência do Pai. Quando clama na cruz: ¿por qué vocé tem me abandonado?, também  faz , nesta vez de jeito dramático, alusao á existencia do Pai. Todos os seus ditos registrados nos Evangelhos, levan implícitas afirmações cerca  da existência de Deus .

Mas perguntémes-nos agora : ¿O qué Deus é o que Jesus nos apresenta?  ¿ É o  Deus do Antigo Testamento muitos de cujos textos o mostran como um deus vingativo, cruel e sanguinário? De jeito nehum; tais textos, que desvalorizam a ideia de Deus, não poden ter sido inspirados por Éle. É a outro Deus a quem  Jesus estava se referindo. A seguinte citação de Plotino ajuda-nos a entender a qué Deus se refere Jesus. O filósofo acredita que: 

 

» Deus é tudo o que existe e nada do que existe;  Ele  é a unidade absoluta , necessária , imutável e infinita ; não é o ser ou a inteligência ; é superior a ambos. Está acima de todas as coisas , incluindo a essência e a vida . Envolve no fundo todas as asencias  e todas as formas , sem ser qualquer delas; é superior a toda determinação e forma; é o UM» 

 

Plotino está certo , a idéia de Deus, a verdadeira ideia de Deus, desborda-nos, abruma-nos ; nada a ver com a idéia do deus de Spinoza; nada a fazer com o Deus sanguinário , cruel e vin gativo que nós amostran certos textos do Antigo Testamento . Por  último, posso acrescentar que não é razoável pensar que todo o texto da Bíblia , absolutamente tudo , até  a última vírgula, tenha sido de inspiração divina . Se todo o texto da Bíblia houvese sido de inspiração divina, Jesus o tería  cumprido á rajatábula: havería  permitido aos judeus lapidaren a mulher adúltera; teria- se abstido de ajudar no sábado ás pessoas em necessidade; teria recomendado  dar morte para as crianças desobedientes e rebeldes , etc., mas não foi assim. 

 Ele disse que não tinha vindo para mudar a lei, mas a realidade é que sim. Ele comunicou a verdadeira palavra de Deus, não a que acreditan os despistados; no a dos  fariseus. Na realidade, um dos seus objetivos era nos afastar dos elementos de distorçoantes do Antigo Testamento, que são o resultado dos erros dos que o escreveram , erros afastados da verdadeira revelação. Ese afastamento dos elementos distorcoantes  significaba apartar a palha do trigo, nos colocando no campo  do espírito de Deus, especialmente de o amor levítico, e da submissão de nossa vontade à vontade de Deus. Envolvía nos afastar do pecado, e por tanto nos colocar mais perto da salvação. É interessante que a leitura de Mateus 1:21 mostre que o verdadeiro significado de » salvação » é nos salvar de nossos pecados, e que Jesus «será chamado dessa maneira porque salvará seu povo de seus pecados».

Assim, o Deus que nos apresenta a espiritualidade de Jesus é o verdadeiro Deus; é aquele cuja imagem não é distorcida pelos erros humanos de ontem e de hoje, que a desvalorizam. É por isso que o ensino dele é a melhor manifestação da verdadeira palavra de Deus, e o seu mensageiro, o caminho, a verdade e a vida.

¿Mostra Jesus ao seu  Pai como um Deus transcendente e pessoal? Na realidade Jesus não caracteriza diretamente a Deus, como sim o faz, as vezes de forma distorcida, o Antigo Testamento . Pero sim o caracteriza indiretamente, porque ao ser inspirado por Ele , seus ditos refleten a personalidade do Pai; são uma sorte de retrato falado de  Deus, de um Deus pessoal, pois so assim pode-se entender que no sermón do monte Jesus dese tanta  importância aoss valores morais , especialmente ao supremo valor do amor , que são valores de pessoas.  Por isso,  por ser um Deus pessoal, tem sentido que nos sejamos sua imagem e semelhança; se não fora un Deus pessoal mas so uma força impessoal, spinoziana , nós não poderiamos  ser o que  somos .  

É verdade que não há prova científica da existência de Deus, como também nao de sua inexistencia, mas há indícios que, considerados cumulativamente , constituem uma poderosa força persuasiva em relação à existência de Deus. Isso pode ser notado em todas as áreas de interesse dos seres humanos , sejan religiosos, filosóficos, científicos o artísticos. São indícios ontológicos, cosmológicos e teleológicos, passando pelas sólidas vías de Tomás de Aquino, até a observação da natureza que a ciência e o bom senso fazem.

A proposta de amor universal, segunda grande visão espíritual dos ensinamentos de Jesus , é a mais clara expressão de sua alta espiritualidade.  Ao considerar o amor como  pedra fudamental, não faz falta  discussão axiológica (cerca de valores) nemhuma porque o amor cobre tudo o bom que podamo s fazer por nossos semelhantes; os devaneos teóricos-éticos são desnecessários. Isso sim, devemos ter em mente que existem dois tipos de amor: um que é espontâneo , como o amor famíliar e o amor romântico; e  outro que não é espontâneo. Se bem se olha, o ensinamento de Jesus estive volcado para o segundo, o qual é conhecido como amor agape, que eu prefiro chamar-o de construivel  para enfatizar que, embora não surja espontaneamente, é possível gerá-lo voluntariamente em nossa psique . É uma obrigação existencial foi brilhantemente substanciada no livro de Levítico:  » Vocé tem que amar ao próximo como a se mesmo»,  e ratificada por Jesus mais de mil anos depois. ¿Por que ese «você tem que amar «?  Porque pode ser construído. Se não pudesse ser construído o mandato de amor seria irrelevante, pois não podería ser cumprido.  

Nos dez mandamentos ha dois grupos de eles: um cerca da relação de Deus com os homens, e um outro que refere-se à relação entre estos últimos. Os do segundo grupo são exigências inevitáveis ​​para cumprir o mandato de construir o amor, e a possibilidade de cumpri-lo nos permite entender que tanto Levítico quanto Jesus deram a ordem de amar. 

Por ser espontâneo, o amor-sentimento existe profusamente entre os seres humanos, mas não o amor construível (embora em alguns casos também posa ter matizes de espontaneidade). E, como o próprio Jesus apontou implicitamente, o amor construivel tem um mérito que o amor espontâneo não tem: “ Se vocês aman apenas  aqueles que amam vocês, ¿o que fazen de extraordinario? Até os pecadores se comportam assim. E se vocês fazen o bem apenas àqueles que o fazem para vocés, ¿o que há de extraordinário nisso? Os pecadores também se comportam assim” Certamente, esses são amores espontâneos que não implicam nenhum mérito especial, como acontece com o construível.

No amor construivel há sabedoria, racionalidade e justiça.  ¿Por qué? Porque somente com esse tipo de amor podemos ter um mundo melhor, baseado na verdade e a justiça; e seus frutos os receberíamos por adicão, além  das soluções organizacionais e regulamentares que podamos estabelecer.

Do dicionário das palavras gregas mais usadas no Novo Testamento, de William Barclay, transcrevo estes parágrafos esclarecedores: “ Agape tem a ver com a mente. Não é uma mera emoção que desencadeia-se espontaneamente em nossos corações … mas um princípio pelo qual vivemos deliberadamente. Agape está intimamente relacionado à vontade. É uma conquista, uma vitória, uma façanha. Ninguém nunca amou seus inimigos; mas quando você consegue, é uma conquista real de todas as nossas inclinações naturais e emocionais. Esse agape , esse amor cristão, não é uma simples experiência emocional que nos chega espontaneamente; é um princípio deliberado da mente, uma conquista deliberada, uma façanha da vontade. É o poder de amar o que não é amavel, de amar as pessoas que não gostamos. ”

Exemplos de amor construivel ha muitos e variados, desde o trabalho desinteressado e quase anônimo de centenas ou milhares de organizações de voluntariado social espalhadas pelo mundo enteiro, até casos conhecidos e famosos como o de Oskar Schindler, empresário alemão que durante o holocausto dos judeus salvou dos campos de concentração nazistas a 1300 de eles.

O amor universal é o mais importante para o ser humano, o qual não se  opõe aos nossos interesses em outras áreas de nossa ex istencia , como aciência e as artes. Não é que a  nossa curiosidade, que nos    induz para tentar explorar e compreender o cosmos, por exemplo, não seja importante. É importante,  mas não debemos  perder de vista que ha uma prioridade maior a ela a pesar da grandiosidade do cosmos, e do insignificante que parecen os anos de existência da espécie humana contra os milhares de milhões de anos que tem existido e que existirá a Terra, e contra um espaço cósmico com distâncias que são  medidas em milhões de anos luz.  Pese a estas grandezas, a espiritualidade, especialmente o amor construivel, é más prioritrio. Parece paradoxal , mas uma existência plena de nossa espécie , baseada  na  priorização de uma espiritualidade visando para a verdade e a justiça , é o mais importante, sem  isso significar abandonar a nossa natural e necessária curiosidade para conhecer melhor o mundo que nos rodeia .  

A visão da vida após a morte física, terceira grande visão espiritual no ensino de Jesus, é de extrema importancia, não tanto pelos textos sobre o assunto registrados nos Evangelhos, que são mais bem  parcimoniosos  e obscuros, mas por sua connotação de transcendência.

O que realmente importa sobre esta visão não é tanto a forma ou as formas possíveis pelas quais  transcende-se após da morte, mas pela  própria existência da transcendência, pois isso nos introduz na noção de que existe algo após da norte: outra etapa do projeto de Deus para os homens.

Parecería que os avancos tecnológicos da vida moderna estão nos ajudando a perceber a existencia da trascendencia. Por exemplo, asim  como um texto resaltado en Word não se perde ainda de ter sido  apagado antes de ser botado no seu lugar de destino, mas que conserva-se na memoria do computador, no “portapapeis”, igualmente a alma, o espirito, o como se quizer chamar ao componente inmaterial do ser humano, que com a morte deixa de estar na dimensão terrenal da vida, tamben não se perde, mais conserva-se de algum outro jeito, en alguma parte da memoria cósmica á espera de algum posterior desenvolvimento planejado pelo Creador.

Nos evangelhos, especialmente nos sinóticos, existem vários conceitos que se referem à permanência e transcendência do componente espiritual . Ahí estão, por exemplo, o reino de Deus y seu segredo que não é acessível a todos; o inferno e seu fogo eterno; a nova vida; a vida eterna; a ressurreição dos mortos ; a semeadura de corrupção e a colheita da incorrupção; a alusão a corpos espirituais; o nova vida; a segunda vinda de Cristo para julgar a todos, etc. , todos eles conceitos que de alguma maneira carregam a idéia de que existe algo após da morte física.  E essa é precisamente a importância desta visão: que o término da vida física não é o fim de tudo, que há algo mais.

Agora, ¿o que é ese algo ? Este é um dos temas bíblicos mais precisados de interpretação, devido ao segredismo e laconismo dos evangelhos no que faz relação ao tema escatológico (vida após da morte). Podería-se dizer que, em geral, os textos bíblicos dão origem a interpretar ese algo ora como físico, ora como espiritual. Talvez uma nova vida terrena, o que podería ser visto como uma punição, pois isso significaria retornar ao inferno em que hemos transformando o nosso mundo, ainda que também poderia se ver como uma nova oportunidade. Ou talvez uma vida exclusivamente espiritual , cujo alcance não nos é conhecido , pelo menos por enquanto . Mas como seja que for   a transcendência na realidade,  a verdade é que, de acordo com a mensagem de Jesus, Deus tem planejado algo para nós após sair do nosso corpo físico, e é isso o que  verdadeiramente importa. 

Em resumo , a espiritualidade é o ponto crucial, o pano de fundo da missão de Jesus como emissário enviado para anunciar a palavra de Deus , a verdadeira palavra de Deus. Que o preço que ele teve que pagar para cumprir sua missão foi o acoso, a prisão , a tortura e a morte, isso é outra coisa; eso foi produto da maldade humana, não o objetivo perseguido por Deus. Não faz sentido que o Pai tenha desejado o martírio de seu próprio filho. É por isso que o termo “sacrifício expiatório”, e similares que costumam-se ser usados ​​para se referir ao papel de Jesus , não devem ser entendidos em um sentido ritual, como se tivesse sido enviado como bode expiatório por um deus sanguinário ao estilo dos deuses pagãos que exigiam sacrifícios humanos para apaziguar sua raiva.

Finalmente, eu devo dizer que da mensagem de Jesus a  fé emerge como um grande eixo de espiritualidade. Fé no Pai e fé no Filho. E há muitas razões para tê-la no próprio Jesus : profunda sabedoria que é vislumbrada em seus ensinamentos; defesa da racionalidade e dos valores éticos universais; cumprimento de suas profecias; execução de sinais milagrosos à vista de todos; determinação e coragem sem limites para cumprir com a sua missão enfrentando leis injustas e líderes religiosos teimosos e egoístas , e tudo isso ainda sabendo com antecedência o sacrifício que havería de sofrer.  

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